Suicídio Coletivo


Dr Cecim El Achkar

Pediatra

 

A sociedade caminha a passos largos em direção à morte precoce. Todos os valores individuais alteram-se. Nós não comemos a comida que nos faz bem, mas aquela que está na moda, independente de ser a melhor. Tomamos o melhor líquido, sem dispensar o artificial, o cheio de corantes, estabilizantes, gases e outras drogas prejudiciais à saúde. Tudo porque está em moda. Tomamos uma série de condutas no vestir, no comportamento, no relacionamento, só porque está em moda, e não por ser correto.

A maioria fuma e não sabe nem por que, mas não consegue e nem quer deixar de fumar. As drogas estão aí, disseminam doenças, atingem todas as camadas sociais da população em todas as idades, credos e padrões sócio-econômicos. Existem dois tipos de drogas, uma obtida de forma ilegal, que é a maconha, a cocaína, os xaropes, o crack e outras; e a droga conseguida de forma legal, através da receita médica, que, a cada dia, mais pessoas dependentes consomem para poder viver, sobreviver ou dormir.

Afinal de contas, o que é viver dignamente? Atrás do que estamos correndo? Quais os verdadeiros conceitos de uma vida saudável e feliz?

A maior causa de mortes, depois de dois anos de idade até a idade adulta, é produzida por nenhuma doença, mas pelos acidentes de trânsito, e a grande maioria tem, como fator causal, o próprio ser humano. Algumas pessoas, quando começam a tomar consciência de si mesmas, iniciam uma busca para o suicídio, mesmo que seja de maneira inconsciente. Os fatos estão mostrando isso todos os dias. Sabe-se, hoje, que muitas crianças que atravessam as ruas ou jogam-se de edifícios já o fazem com o intuito de suicidarem-se. Acidentes com motos, dizimando os jovens na flor da idade nas noites de sexta-feira e sábado. Os acidentes com carros e ônibus e caminhões, os quais deixam rastros de mortes todos os dias.

As drogas estão aí, a encurtarem a vida dos jovens e adultos, assim como o cigarro e a bebida. O excesso de trabalho físico e mental levando ao estresse, que provoca doenças como infarto, úlceras, dores na coluna e algumas doenças reumáticas, assim como muitos processos alérgicos de pele e bronquites.

As crianças também não fogem desse terrível mal que nós vivemos. Já, nos primeiros dias, elas manifestam seus distúrbios com cólicas, choros intensos e, em alguns casos, até com úlceras, de estresse em crianças menores de um ano. Sem contar depois as alterações no apetite, para mais ou para menos, obesidade, xixi na cama, terrores noturnos, crises de afinar-se, atraso no andar, no falar, ir mal na escola e doenças banais de repetição, causadas, a grande maioria, por distúrbios emocionais.

A competição exagerada e o comodismo desenfreado fazem com que o homem perca toda noção do real, do belo, do simples e da verdadeira vida feliz, assumindo uma vida sofrida, angustiada e masoquista. Tudo isso acontecendo e nós, vozes vivas da sociedade, caladas, omissas e coniventes.

O que podemos fazer para transformar essa tragédia que abate sobre todos nós em uma realidade mais alegre, galgada por caminhos mais felizes, em busca do certo, em busca da vida, e não da morte, da saúde e não da doença? Talvez tenhamos que voltar um pouco mais às origens, olhar um pouco mais para dentro de nós mesmos, trocar a visão e a busca pelo ser. Ser mais justo, mais amável, menos egoísta, menos agressivo, menos mesquinho, voltar a desfrutar da raiz de tudo que é o amor verdadeiro, que está embutido dentro da nossa família, que são nossos pais, irmãos, filhos, companheiras ou companheiros que nos cercam. Pois, para amarmos a Deus, que não vemos, primeiro, temos que amar aqueles que conhecemos. Vamos fazer uma pausa antes de dormir, questionar e meditar se o nosso dia valeu a pena, e o que restou de concreto. Só poderemos mudar a sociedade se começarmos a mudar, primeiro, nós e, depois, irradiar a felicidade aos que nos cercam.



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