O dilema do filho único
Dr Cecim El Achkar
Pediatra
Hoje, os casais fazem opções por famílias menores, de apenas um filho. E muitos preferem mesmo ter nenhum. Os que têm apenas um filho, o motivo alegado é que a vida, hoje, é muito cara, os pais trabalham fora e as condições são difíceis. Criar um filho, hoje, é um risco muito grande, afirmam.
Apesar de esses argumentos estarem enraizando-se, cada vez mais, discordo totalmente. A vida está mais fácil do que há 20 anos. Nós é que estamos com muita pressa, achando que a vida vai acabar amanhã e que os prazeres do mundo vão esgotar-se.
Os pais reclamam que têm que trabalhar fora de casa e não podem cuidar dos filhos. A grande questão constitui-se no erro do primeiro filho, esse chega sem preparação, sem experiência por parte dos pais, que sofrem muito e a criança também. Esse erro cometido na conduta com o primeiro filho começa a ser corrigido quando aparece o segundo. A partir do segundo, têm-se condições de reeducar o primeiro, e procurar arrumar os erros cometidos. Ou você fica sem filho, ou tem, pelo menos, dois.
O filho único tem vários problemas: é muito solitário, exigente, egoísta, superprotegido. Sem ter irmão para se espelhar, para brincar, para repartir e para brigar. Os companheiros são sempre adultos, num relacionamento sempre desigual. Crianças gostam de brincar com crianças, e não com adulto. Quando essa criança vai à escola, geralmente, tem dificuldades de relacionamento com os companheiros: é agressiva, insegura ou muito fechada. Os pais também ficam sem poder de comparação. Portanto, essa criança vai procurar companhia fora de casa, pois não tem irmão.
As famílias com filho único têm maior possibilidade de esse envolver-se com drogas, de ter tendências homossexuais, de apresentar insegurança e problemas na escola. Quando adulto, terá maior dificuldade de enfrentar a vida.
Os principais problemas do filho único decorrem da inexperiência dos pais, pelo fato da criança não ter irmão, e de não encontrar espelho para poder crescer melhor e mais segura. Quando existem dois irmãos, eles brigam, abraçam-se, fazem companhia, conversam, um observa o outro. Essa convivência forma o caráter e a personalidade.
A grande reclamação é que o primeiro filho causa muito problema; vale ressaltar que o segundo filho é a solução para grande maioria dos problemas do primeiro. O segundo filho vem sempre arrumar o que o primeiro estragou. Quando o segundo filho vem, a família passa do deserto para o Oásis. Tudo muda em casa, todos ficam mais calmos e os problemas resolvem-se com mais facilidade.
‹ voltar



.jpg)


.png)