Natal da felicidade


Dr Cecim El Achkar

Pediatra

Comer é a prática principal nas festas de fim de ano. Todos acabam comendo mais do que deviam e bem mais do que suportam. As crianças não fogem à regra, presenciando isso desde cedo em suas casas e na televisão. Comer e beber nessas festas parece sintetizar a realização da felicidade aqui na Terra. Todos dão e recebem presentes. Quem não pode sente-se frustrado e infeliz. Mas também os que podem não deixam de sentir um vazio depois da festa, pois ela não concretizou o sonho de ser feliz. O ser humano, no caminho do seu aperfeiçoamento interior, não consegue neutralizar os apelos veementes da mídia e da sociedade para o ter e o mostrar. Precisa ter o melhor, o mais bonito, o mais caro, o de melhor marca, para mostrar aos outros como é poderoso. Às vezes, nem sabe para que ou por que age assim. Uma coisa é certa: nessa luta sem fim e limite, todos se enganam, ficam mais infelizes, ansiosos, sujeitos à depressão.

E até quando e aonde vai nos levar esse caminho da ilusão e da mentira? Mas é Natal, é Ano Novo. É novo século, nova ordem mundial e nós todos queremos mesmo é ser felizes. Descobrimos que nossa felicidade passa sempre pela doação de fazer bem a quem nos procura, cada dia mais, nos alimentamos dessa energia. E alguma força maior, a que chamamos Deus, nos dá sempre mais quanto mais distribuímos e nos doamos ao próximo.

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