Filhos: educação e limites
Dr Cecim El Achkar
Pediatra
Todos nós fazemos curso para nos habilitarmos a realizar qualquer atividade, como aprender a ler, escrever, dirigir, cozinhar, trabalhar com computador etc. Quando pensamos em ter um filho, quantos de nós faz um curso completo e recebe todas as informações necessárias?
Todas as pessoas, antes de serem ou pensarem em ser pais, deveriam saber o que é ter um filho, e como preparar-se para tal tarefa. Somente aí, então, a paternidade ou maternidade deveria ser iniciada. A questão é a seguinte: mesmo com toda informação disponível, quantas mulheres ficam grávidas e assumem a maternidade sem algum preparo ou condições? Quantas mães solteiras continuamos a ter hoje em dia?
Precisamos ter uma lei exigindo que todas as pessoas cumprissem determinados pré-requisitos para terem uma família com filhos, na qual todos tivessem que ter responsabilidades, principalmente, os homens, grande maioria que abandona a família.
Temos, portanto, uma geração de pessoas geradas e criadas resultante dessas situações e outras, ainda mais absurdas. Como criar as crianças, todas são iguais? Nenhuma delas é igual, cada uma já nasce com uma índole e um temperamento que se vai aperfeiçoando ou deteriorando. Existem crianças mais fáceis de cuidar? Sim, existem as mais dóceis, mais tolerantes e mais calmas. E irmãos diferentes no gênio, existem? Sim, há crianças com maior ou menor dificuldade para criar. O problema está, exatamente, com as crianças mais rebeldes, com o instinto mais apurado, e, também, com a inteligência maior.
Devemos iniciar a educação desde o nascimento, quando o bebê vai mamar no peito. Nessa idade, já devemos dar os limites de tempo de mamada, de colo, e disciplinar o bebê, pois ele já entende toda nossa linguagem verbal de olhar e de atitudes, e vai adaptar-se com aquilo que fizermos de maneira firme e segura com ele. Quanto mais atenção, pior, no entanto, o oposto também é muito ruim para o bebê.
Assim como temos hora para comer, trabalhar, dormir e lazer, os ensinamentos devem iniciar desde o nascimento. O choro, a birra e a falta de sono são sempre por falta de limites? Não. Muitas crianças têm dores as quais são confundidas com birra. Por isso, é fundamental esclarecer com o médico o que é dor e o que é reina ou manha.
Conforme o bebê vai crescendo, as atitudes das crianças e suas habilidades também vão mudando. E a relação pais e filhos é muito dinâmica, porque existe em permanente mudança. Os pais têm que saber, primeiro, o que é normal no filho. O que o bebê pode ou não fazer. Como comportar-se quando ele chora, o que fazer quando ele começa a jogar-se no chão, tenta bater ou bate na face dos pais, morde os amigos ou os pais, joga-se e bate a cabeça no chão. E quando ele não quer obedecer, e faz os pais passarem vergonha na rua ou em lugares impróprios, quando não quer dormir na sua cama e vai para a cama dos pais.
Castigo ou chinelada, qual o mais correto? Dar o castigo, arrepender-se, porque achou muito severo, e voltar atrás? Abrir mão de algo que se gosta, porque o filho quer mais atenção, como deixar e estudar, sair do emprego ou não ir à festa com os amigos? Educar e dar limites são processos contínuos que vivemos nas nossas vidas, primeiro, e estendemos aos nossos filhos, como um espelho do que somos.
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