As crianças e o inverno


Dr Cecim El Achkar

Pediatra

Com o início do outono, há um aumento expressivo das doenças do aparelho respiratório e uma incidência muito grande de doenças causadas por vírus. São comuns as rinofaringites, amigdalites, resfriados, bronquites, pneumonias e as infecções causadas por rotavírus, que atingem as vias aéreas e o sistema gastrointestinal.

A situação dos que moram em Florianópolis e na orla marítima torna-se ainda mais crítica, devido ao contato direto com o mar, pois ocorrem mais mudanças de temperatura. As crianças são as mais atingidas, uma vez que sofrem ainda mais com os ventos que sopram do Sul e do Nordeste, principalmente.

Os bebês, nos primeiros meses, sofrem muito pela dificuldade que apresentam para respirar, pois, constantemente, a narina obstrui. Nessa idade, o bebê ainda não sabe respirar pela boca e, como o orifício da narina é muito estreito, qualquer secreção já o deixa com grande dificuldade para fazê-lo.

A coriza é o catarro que sai pela narina. No início é clara e fina, depois, torna-se amarela e esverdeada, indicando, muitas vezes, a complicação do resfriado.

A tosse é o sintoma mais frequente nas vias aéreas. Ela pode ter muitas causas: ser irritativa, produtiva, seca, ou com predomínio diurno ou noturno. A origem da tosse pode ser a garganta, os seis da face, o esôfago ou os pulmões, mas, raramente, o fator emocional. Devido a isso, a tosse é o sistema de mais difícil tratamento, exatamente por não conseguirmos identificar a sua origem. Hoje, sabe-se que 30% das asmas têm, como única manifestação, a tosse.

A febre é o sintoma mais importante e o que mais assusta os pais; é um aviso de que algo no organismo não vai bem, e ele está se defendendo contra essa agressão, que pode significar uma infecção de garganta, ou uma pneumonia. Por isso, deve-se ficar com a criança em casa, se ele apresentar febre. Procure sempre o pediatra de sua confiança, o posto de saúde mais próximo ou o hospital.

Rotavírus é, atualmente, o maior causador de doenças relevantes nessa época do ano. Causa um quadro como se fosse gripe, mais dor abdominal, vômitos e, às vezes, diarreia. Ao contrário do que se pensa, no inverno, também ocorrem muitos casos de diarreia, e, mais importante, ela atinge mais crianças de padrão sócio-econômico mais elevado, e, muitas vezes, a causa é viral.

Os cuidados especiais: dar sempre ao filho uma alimentação mais natural possível. Evitar alimentos enlatados, refrigerantes, chocolates, doçuras, salgadinhos e guloseimas. Não agasalhar em excesso, porque, na hora de trocar de roupa, ocorre um choque térmico que pode desencadear uma gripe ou um resfriado. O quarto é o local mais importante, o qual deve estar seco e arejado. Não deve existir mosqueteiro, pois, dele, desce a poeira e o ácaro, que produzem a tosse noturna e narina trancada. O mofo e a umidade no quarto são os responsáveis, muitas vezes, por infecções de repetição. A creche é o local onde mais se adquire infecções de todos os tipos. A mãe que não quer ter seu filho com infecções constantes deve deixá-lo, até os 2 anos de idade, em casa. Passear ao ar livre e ao Sol é muito importante para a manutenção da saúde física e mental das crianças.

Evite dar gelados, picolés, no tempo frio, pois, muitas crianças fazem crise de infecção de garganta após ingerir gelado. Não fumar em casa, famílias fumantes têm quatro vezes mais chances de terem filhos com problemas respiratórios.

A criança precisa muito do carinho e do amor dos pais, isso é essencial para o equilíbrio físico e mental das crianças. Sabemos, hoje, que, muitas das infecções respiratórias, são originárias das desavenças no lar.

Para termos filhos saudáveis, devemos procurar dar a eles o conforto do ambiente físico, a alimentação balanceada e natural, fazer sempre o acompanhamento pediátrico e não descarregar sobre eles os nossos problemas e desencontros. “A riqueza maior do ser humano é ter uma plena saúde física e mental”.



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