A escola e a criança
Dr Cecim El Achkar
Pediatra
A escola mudou muito, nos últimos anos, por dois fatores: a televisão e a saída da mãe para trabalhar fora de casa. Hoje, as crianças vão muito cedo para a escola, separam-se dos pais e da casa em tenra idade. Sofrem um trauma grande, uma sensação de abandono por parte da mãe. Além disso, o fato de se misturarem com outras crianças, em ambiente fechado, faz com que fiquem mais doentes do que as que permanecem em casa. Assim, amadurecem física e mentalmente mais cedo, crescem com um sofrimento maior que a geração anterior. Em compensação, recebem outros tipos de atenção, como atendimento pediátrico mais eficaz, festas de aniversário, brinquedos, roupas, passeios e viagens. As crianças vivem mais doentes do que antigamente, mas morrem muitíssimo menos do que antes.
Os pais têm grande influência no encaminhamento dos filhos à escola. O exemplo dado em casa é a mola mestra para a criança ir bem ou mal nos estudos. Os filhos têm sempre os pais como um espelho, seguem e procuram fazer tudo igual dentro do mundo deles. Mas os pais, muitas vezes, não têm consciência do que podem causar de bom ou de ruim a seu filho, pelo modo como estão vivendo. Está provado que os pais que vivem em harmonia transmitem um bom astral, e a escola transforma-se num prazer para a criança.
O maior problema, hoje, é o fator emocional. A criança respira os pais, isso é, existe uma dependência total da atenção e do afeto recebidos. Se os pais estão bem, a criança também está. Se os pais estão numa situação ruim – de desarmonia, agressão, omissão, egoísmo –, a criança fica sem o ar, e, com isso, começam os problemas. Na escola, ela começa a regredir. Muda de comportamento, come menos, rói as unhas e apresenta dores variadas, como dor de cabeça e dor de barriga. Tem dificuldade para aprender, começa a relacionar-se mal com os companheiros e com os professores.
Acredita-se que o grande mal da criança e do adolescente e, principalmente, sua ida às drogas, está ligado, diretamente, ao tipo de atenção que recebem dos pais. Cabe a nós a responsabilidade de dar à criança mais amor e menos coisas materiais. A criança, quando é amada de verdade, e não usada pelos pais, aceita não ter as coisas do consumo exagerado do mundo atual. Ao contrário, quando se sente usada, pede tudo, explora os pais sem nenhum escrúpulo. Como consequência, o problema da criança fica ainda maior, pois ela perde a noção e o senso de limite, que é fundamental para o seu bom desenvolvimento físico, mental e para sua felicidade. Conjuguemos, em casa, mais o verbo ser e menos o verbo ter, para que a criança de hoje seja o homem feliz de amanhã.
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