A criança


Dr Cecim El Achkar

Pediatra

A criança, a cada dia que passa, torna-se mais o centro das atenções. A criança está extremamente exposta. Observamos crianças com todo tipo de situação, desde a criança amada, a maltratada, a artista, a nutrida, a doente, a que tem bens materiais e as que nada tem. Hoje, especialmente, eu pergunto: será que a criança está recebendo a educação adequada para se tornar um adulto feliz e realizado? Será que estamos satisfeitos conosco e aptos a transmitir aos nossos filhos condições de crescer saudáveis física e mentalmente?

A criança do século 21 é muito mais esperta, mais ativa, já nasce gostando muito de passear, de sair de casa. Ir ao shopping é diferente da nossa geração. Esse fato decorre, principalmente, porque as mães grávidas têm uma vida muito mais ativa do que as nossas mães, que ficavam cuidando só da casa. Hoje, a mulher, além de cuidar casa, divide, com o homem, a tarefa do sustento da família. Nessa saída da mulher de casa, a criança ficou desprotegida e, como consequência, temos uma geração diferente, que amadureceu muito cedo, perdeu o encanto e a fantasia da infância muito precocemente. Isso é bom ou ruim? Temos os dois lados, temos crianças espertas, que têm mais vontades, são mais independentes, viajam mais e conhecem o que o mundo tem para lhes oferecer. Por outro lado, são crianças mais fragilizadas emocionalmente, principalmente porque não recebem limites claros.

Qual é a forma ideal de se educar uma criança? A resposta, com certeza, não sabemos, mas temos a convicção do que não deve ser feito para que elas não sofram e não percorram caminhos de sofrimentos e decepções. Duas situações bem claras: a primeira é que o modo como os pais vivem transforma-se na maior influência sobre a vida que os filhos vai seguir; a segunda é o limite, as crianças precisam do limite para se tornarem seres humanos de verdade.

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